"Mais do que ser primeiro, herói é quem sabe dar-se inteiro e dentro de si mesmo ir mais além."

Desafio TRIUMVIRATUM/ Rota das Cidades Históricas

No dia 19 de Julho, 2 equipas de aficionados do BTT – propuseram-se levar a efeito o Desafio TriumViratum/ Rota das Cidades Históricas. Este Desafio ambiciona ligar três cidades, Leiria, Torres Novas e Tomar, com regresso ao ponto inicial, sendo o ponto de partida à escolha da equipa, não havendo um ponto de partida obrigatório. Para o Desafio ser considerado válido (daí o nome TRIUMviratum), devem as equipas ser constituídas de três elementos, e o percurso total, de 145kms, ser percorrido no mesmo dia.
 
A quilometragem e o calor que se vinha fazendo sentir, obrigavam a um início bem matinal. Com alguns atrasos e umas “boleias” pelo meio, chegámos a Leiria e apressámo-nos a preparar as bicicletas e o equipamento, dirigindo-nos a seguir para o ponto de início da Rota, que era na fonte luminosa da cidade de Leiria, onde começámos a pedalar já eram quase 8h30.
 
Os problemas começaram logo ali. Misteriosamente, apenas 2 GPS mostravam a rota! Seguimos essa rota, e era estranho que a mesma só nos mandava para sentidos proibidos na cidade! Fomos seguindo o track até sairmos das imediações da cidade e entrarmos na terra batida, próximo do IC9 e depois num estradão muito bom ao longo da auto-estrada onde tínhamos passado de carro de manhã cedo. O piso não oferecia dificuldades, alternando entre estradões e alguns caminhos mais estreitos.
 
A manhã foi avançando e como o pequeno-almoço (para alguns…) já lá ia e o calor já apertava, resolvemos parar num café para hidratar, alimentar um pouco e ligar ao amigo Paulo, que estava “de prevenção” e tencionava ir ao nosso encontro perto de Torres Novas. Qual não foi o nosso espanto quando o Paulo nos informa via telefone, pelas indicações que lhe demos, que estávamos a fazer a rota… no sentido inverso ao planeado!!! Tal não significava nada de especial, a não ser que a Rota não fora pensada para este sentido, e que assim nos safávamos a uma valente e longa subida que era suposto fazermos no regresso a Leiria, sendo que assim esta ia tornar-se uma saborosa descida! Agora já percebíamos porque andávamos em Leiria em sentido contrário ao trânsito! O Paulo comentou que estávamos a fazer uma experiência piloto, pois ninguém o tinha feito antes. Assim, depois desta paragem que ainda durou uma boa meia-hora, continuámos o nosso caminho, sempre no sentido inverso, pois claro!
 
O calor apertava e bem. Viria a tornar-se o nosso pior inimigo, tornando a água para beber insuportável, derretendo as barras energéticas e fazendo as gotas de suor caírem em bica. Fomos apanhando nesta fase alguma areia em estradões por meio de eucaliptais, o que ainda exigia mais esforço na progressão. Passámos também pelas primeiras ruínas do famoso aqueduto dos Pegões, num terreno ondulante que nos obrigava depois a empurrar a bicicleta na parte da subida por ser em single track rodeado de mato. As arranhadelas nos braços e pernas começaram aqui! A cidade de Tomar já estava muito próxima, e apanhámos o primeiro pedaço de asfalto na aproximação à cidade, que muito bem nos soube. Depois, o track obrigava-nos a sair da estrada à esquerda, onde íamos apanhar o troço que passava mesmo em cima do aqueduto. De aspecto monumental, muito bem conservado e estendendo-se numa distância bastante longa, tirámos as fotos da praxe e seguimos pelo aqueduto, a empurrar as bicicletas. Excepto o C., que afirmou não gostar muito de alturas, tendo seguido por estrada!
 
Após o aqueduto era a entrada na cidade, onde tencionávamos, e bem precisávamos, comer algo e hidratar em condições. Fomos obrigados a permanecer aqui durante muito mais tempo do que desejaríamos, porque chegados a Tomar, verificámos já com pouca surpresa que os nossos tracks acabavam ali! Mais um telefonema para o nosso amigo e diligente Paulo, que tratou de mandar um enviado especial ao nosso encontro com um PC para carregamento dos restantes tracks! Bem hajas Paulo, e bem hajas Ricardo!
 
Efectuada a operação, seguimos viagem, para logo entrar num single track que era suposto ser feito a descer e que o Paulo já tinha avisado que iríamos perder. Tivemos de fazer a maior parte a pé, a subir. Continuámos sob um sol abrasador, que nos abrandava demasiado e nos obrigou a fazer mais uma paragem num café, para hidratar e colocar mais um pouco de ar num pneu teimoso. O Ricardo, nosso salvador dos tracks GPS, ainda apareceu algumas vezes no caminho para nos dar força e ânimo. Nem todos têm a sorte de ter tantos amigos dispostos a ajudar! A progressão continuou lenta e algumas dúvidas surgiam de vez em quando, embora o track estivesse nos nossos ecrãs bem visível… De assinalar a passagem por uns moinhos, local bastante belo, num alto evidentemente, que depois nos fazia descer para um caminho bem bonito, que serpenteava por uma colina acima, embora fosse de inclinação bastante aceitável. Começou a aparecer mais pedra no piso. Sem perceber porquê, os companheiros tinham ficado todos para trás, e de repente aparece à minha frente em sentido contrário o Paulo! Trocámos ideias sobre o decorrer do Desafio, e o atraso significativo que já levávamos… Apareceram os companheiros, e contaram que estiveram a beber cervejinha fresca e a comer bolo que a dona de uma habitação junto aos moinhos lhes ofereceu!!! E assim se vai passando o tempo…
 
O Paulo escoltou-nos até onde ele dizia que seria o local adequado para tomar uma decisão quanto ao resto da jornada. Eram cerca das 18h15 e estávamos com 82 kms andados. A muito custo concordámos que nunca acabaríamos os restantes 63 kms com luz do dia… Chegaríamos bem noite dentro, o que não se afigurava sensato, mesmo com a oferta de uns kits de luzes da parte do Paulo. Interiorizámos os factos com dificuldade e já estávamos a pensar é que da próxima vez viajaríamos na véspera, para evitar não só os atrasos matinais, como o mau ou inexistente pequeno-almoço e as horas de maior calor. Assim, o Paulo conduziu-nos até à estrada que teríamos de apanhar para regressar a Leiria. Despedimo-nos com a promessa convicta de voltarmos e de cumprirmos inequivocamente o Desafio, e fizemo-nos à estrada. Ainda fizemos mais 38 kms, o que no total contabilizou 120 kms. Em conclusão: foi um grande treino, aprendemos algumas lições, e deixamos aqui o alerta para os futuros interessados na realização do Desafio – não o subestimem! Não fora intencional, mas alguns aspectos já aqui mencionados deviam ter sido acautelados.O TriumViratum está lá, e é um desafio bem à medida de verdadeiros aventureiros e sofredores natos.

 

3 responses

  1. Pedro

    O Importante é terem experimentado.Fico muito feliz dever quer continuas em grandes desafios!Nós na tentativa do ON-Shot tambem tivemos imensos atrasos, e pessoas (como eu) em estado critico devido ao muito calor.Tambem Aprendemos Muito.pguedes.blogspot.com

    25/07/2008 às 17:21

  2. Ricardo

    Filomena, já alguém dizia que "não existem distâncias q as nossas mentes n possam percorrer". Tu manténs bem viva a vontade de ultrapassar qualquer desafio e parece que este foi adiado.
    Qd voltares, avisa que a rapaziada do pedal dá uma ajuda.

    29/07/2008 às 22:37

  3. Pedro

    Realmente foi uma pena :\\\\  Por acaso ja me aconteceu nalgumas ocasiões, os tracks deveriam ter umas setinhas para indicarem o sentido em que foi gravado. Fiz a rota em abril mais a sarah e adoramos, mas deixo como conselho quando repetirem, partirem em leiria, para terem logo a subida ao inicio(ela n é nada inclinada, apenas tem 13 ou 15kms), caso contrario vao te-la já com 120kms..(se n me engano) o que acho que custa muito mais. Quando repetir tenciono faze-la assim.
    De qualquer das formas também ficaram com uma historia para contar😉
     
    cumprimentos
    Pedro Padinha
     
     
     
     

    28/08/2008 às 11:02

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