"Mais do que ser primeiro, herói é quem sabe dar-se inteiro e dentro de si mesmo ir mais além."

III Raid Setúbal-Odemira-Querença

 

Pela primeira vez, efectuei uma travessia de BTT com colegas de trabalho! A equipa, denominada de RODAS QUADRADAS 16-10 (não perguntem porquê…), era composta por 5 atletas: Chambel (o mentor), Vaz Leitão (o decano), Artur Batista (o determinado), Hugo Monteiro (o caloiro) e Filomena Gomes (a “miúda”), todos bem-humorados, determinados e bem preparados para a grande aventura que vinha sendo equacionada há alguns meses.
 
Tratou-se do III Raid da Federação Portuguesa de Cicloturismo e Utilizadores da Bicicleta (FPCUB) Setúbal-Odemira-Querença (Algarve). Percorrido em 2 etapas, a 19 e 20 de Abril, consistindo em 136 kms e 111 kms respectivamente, a edição deste ano foi marcada pela chuva e pelo mau tempo em geral, que transformou por completo caminhos já conhecidos e tornou lenta e difícil a progressão, além de ter obrigado a algumas alterações de percurso por parte da organização, fruto de caudais elevados e valas abertas em alguns troços.
 
Este Raid, realizado em equipas de número variável, é percorrido por meio de GPS, sendo obrigatório um destes aparelhos por equipa. Assim, a equipa marca o seu próprio ritmo e segue autónoma durante toda a jornada, tendo sempre a possibilidade de, em caso de avaria grave ou acidente, solicitar o apoio da organização. Não há classificações ou prémios, sendo por isso uma boa oportunidade de treino e de percorrer uma grande distância em grupo, oportunidade apenas reservada a filiados na FPCUB.
 
Às 8h00 da manhã de Sábado, encontrou-se o grupo total de participantes já do lado de Tróia, onde foram entregues à organização as bagagens devidamente identificadas (por equipa) de cada atleta, as quais seriam transportadas em viatura de carga até ao local de pernoita dessa jornada, num pavilhão gimnodesportivo de Odemira.
 
Entre aguaceiros esporádicos e raios de sol fugidios, o pelotão arrancou em massa, logo se dispersando, sem pressas nem confusões, em ritmo de passeio, pela estrada asfaltada que serve o cais de embarque e se estende pela península de Tróia fora, não havendo alternativa fora de estrada até à localidade da Comporta, onde a equipa das RODAS QUADRADAS fez a primeira escala técnica para a dose de cafeína habitual.
 
O dia pautou-se por paisagens arenosas de início e de montado alentejano mais para o final, alternando entre pequenos troços em estradas rurais com pouco movimento e entradas em trilhos que se foram tornando cada vez mais frequentes. Felizmente, o piso não era propício a enlamear demasiado, pelo que foi sempre possível manter as máquinas em razoável estado de funcionamento, com frequentes aplicações de óleo porque apesar da ausência de lama, a água era uma constante. De vez em quando, caíam chuvadas fortes e repentinas, que depois acalmavam. Isso a somar aos dias precedentes de chuva intensa, tornaram caminhos normais em autênticas linhas de água acastanhada, e regatos em rios autênticos, onde era preciso carregar a bicicleta às costas e andar com água que ultrapassava os joelhos!!! Só mais tarde viemos a descobrir que um elemento da organização se colocara em ponto estratégico (mas onde NÓS não o vimos!) para desviar as equipas para uma rota alternativa, sendo que a MAIORIA não passou, portanto, pela dezena de linhas de água que tivemos de atravessar! Tal situação, a juntar a um “desvario” do GPS que nos fez perder mais de 1h30, às voltas sem darmos com a direcção certa, atrasou o andamento que até aí vinha sendo muito bom e regular. Só conseguimos encontrar explicação para a desorientação no arvoredo algo fechado onde nos encontrávamos e no efeito de “chapéu” que o mau tempo estava a provocar, impedindo a recepção fidedigna do sinal de satélite.
 
Ultrapassado o problema e reencontrado o track, na zona de aproximação a Santiago do Cacém, estávamos famintos e com bastante frio, motivado pelo facto de estarmos encharcados há várias horas. Na primeira povoação que encontrámos logo entrámos num café para nos alimentarmos restabelecermos um pouco.
 
O resto do dia correu sem problemas de maior. Fomos sabendo que algumas equipas ou elementos tinham sido forçados a desistir, devido a problemas mecânicos ou de fadiga e frio, mas o nosso grupo manteve-se coeso e determinado, embora tenhamos tido que optar por um troço em estrada devido ao avançado da hora.
 
Com Odemira à vista, ainda foi cometido um erro crasso por um dos nossos colegas de equipa, que lançado numa descida e seguindo sem GPS, se entusiasmou e não ouviu os nossos gritos de chamamento, pois era necessário sair para um trilho que nos permitiria chegar a Odemira sem ter de subir… Foi o Batista buscá-lo, e assim aumentaram a quilometragem e o esforço que até aí tinha sido coisa pouca…!!!
 
O Pavilhão Gimnodesportivo de Odemira, que já albergara a caravana do Portugal Ecoaventura no Troféu Brisa realizado em Março deste ano, foi outra vez o “hotel” escolhido para a pernoita, a qual foi ininterruptamente embalada pelo ruído da chuva a cair nas chapas do telhado!
 
De manhã, chovia torrencialmente mas mesmo assim os participantes estavam equipados à espera de uma aberta, quando de repente começaram a cair grandes bolas de granizo que caíam com força e estrondo assustadores sobre aquele telhado ruidoso! A vontade não parecia reinar naquela altura…Mas eis que parou a chuva e parou o granizo, tendo toda a gente se apressado a sair. Agora ou nunca!
 
O dia acabou por ser um pouco mais suave que o anterior, tendo o sol feito aparições frequentes que nos obrigavam a tirar e pôr o impermeável com demasiada frequência. Mas nada de mais.
 
Com Querença já muito próxima, fomos alertados para a subida que a antecedia e que coroava o esforço e marcava o final do Raid. A subida era de facto muito inclinada, algo longa, feita em piso de cimento por entre quintais e terrenos adjacentes às casas da localidade, e no alto da subida avistava-se a igreja, sendo logo a seguir a Casa do Povo de Querença onde nos seriam disponibilizados banhos, local para lavagem das bicicletas e almoço.
 

De assinalar o facto de a organização ter disponibilizado um autocarro para todos os participantes regressarem a Setúbal, bem como o transporte das bicicletas. A organização foi extremamente diligente e disponível para auxiliar os atletas em todas as situações. Um bem-haja à FPCUB pela iniciativa que, espera-se, continue a realizar-se anualmente.

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