"Mais do que ser primeiro, herói é quem sabe dar-se inteiro e dentro de si mesmo ir mais além."

Caminho Português a Santiago de Compostela

Um grupo de “ciclomaníacos”, alguns já repetentes nestas andanças, decidiu passar uma Páscoa santa, fazendo mais uma viagem em bicicleta até Santiago de Compostela, pelo chamado “Caminho Português”. Este já havia sido feito anteriormente, em bicicleta ou a pé, por alguns de nós. Mais uma vez a ideia era fazê-lo em autonomia, apesar de que a 1ª jornada seria feita sem bagagem pois iríamos pernoitar no mesmo sítio da noite anterior, em casa de uns amigos.

O grupo de quatro iniciou a Peregrinação na Sexta-Feira Santa, frente à Sé da cidade do Porto, donde parte oficialmente o Caminho e onde fomos colocar o primeiro carimbo na Credencial, atestando a nossa partida. Eis aqui o relato desta pequena aventura.

1ª Etapa: Porto – Ponte de Lima (Feitosa) – 98 kms

A saída da parte velha da cidade do Porto é sempre algo conturbada, não só pela existência de inúmeros degraus e sentidos proibidos que dificultam a vida aos ciclistas, como também pela busca incessante das setas amarelas indicadoras da direcção, nem sempre muito visíveis. Uma vez saídos do centro da cidade, há que passar toda a zona industrial à volta do grande Porto, o que se torna menos agradável devido à paisagem excessivamente humanizada e ao asfalto, inimigo de qualquer betetista. A jornada decorreu sem problemas, havendo apenas a realçar (pela negativa) o chiar permanente de uns travões malcomportados! Também a chuva fez a sua aparição, a meio da tarde, obrigando-nos a sacar dos impermeáveis e contribuindo para que fôssemos ficando a pouco e pouco com mais frio. Os planeados 80 kms converteram-se em… 98kms até à localidade onde tínhamos sido acolhidos pelos nossos amigos, mas onde nos esperava, em jeito de compensação, uma fantástica massada de peixe, acompanhada pelo Verde caseiro da região!

2ª Etapa: Ponte de Lima (Feitosa) – Redondela – 80 km

Sábado de Aleluia foi iniciado – já com os alforges carregados nas bicicletas e em completa autonomia – com uma busca desesperada por um café/pastelaria em condições onde pudéssemos atestar o depósito! Encontrámo-lo já na cidade de Ponte de Lima. Perdeu-se um certo tempo nesta busca e também à procura de um local onde pudéssemos colocar um carimbo, além de termos ido às compras, nomeadamente fruta para irmos comendo, e também… uns típicos rebuçados gigantes com que o Jorginho resolveu presentear-nos, que de tão grandes não nos permitiam falar enquanto os comíamos! Também voltámos a encontrar à saída de P. Lima um grande grupo de peregrinos em bicicleta, que já tínhamos encontrado no dia anterior. Mais umas fotos e alguma conversa, e mais algum tempo se perdeu. Mas no Caminho convive-se, e no Caminho não devemos usar relógio! O problema é que nos esperava uma grande dificuldade nesse dia: a subida à serra da Labruja. Este troço é completamente intransitável, além de íngreme, pedregoso, sendo quase intransponível mesmo a pé. Mas nós tínhamos de empurrar (empurrar não é bem o termo, tivemos de as arrastar mesmo) as bicicletas por ali acima; a páginas tantas só nos apetecia largá-las ali mesmo e continuar sem elas! Quando chegámos ao alto, junto a uma antiga casa do guarda florestal, apareceu um grupo de ciclistas de Santo Tirso, todos frescos, sem bagagem nenhuma e cheios de vontade de subir montados… Onde não sei! O mais engraçado é que após alguma conversa e umas fotos concluímos que tínhamos um amigo/conhecido comum – o nosso amigo Pedro Roque! Portugal é mesmo pequeno… O dia decorreu sem problemas, apenas não conseguimos cumprir o planeamento inicial, e que era ir pernoitar a Pontevedra. Tivemos de ficar em Redondela, onde chegámos eram 20h30. No albergue esperava-nos um reconfortante duche… de água gelada! Além de um imbecil espanhol que resolveu estacionar o “coche” completamente encostado à porta do albergue, obrigando-nos a galgar por cima da bagageira para podermos ir jantar!

3a Etapa: Redondela – Santiago – 89 km

A última jornada foi aumentada devido aos quilómetros que não conseguíramos fazer na véspera. O dia de Páscoa amanheceu novamente em busca do pequeno-almoço. Cafés abertos em Espanha aos Domingos é coisa difícil de encontrar. O tempo esteve até bastante quente, mas a meio da tarde começou a encobrir e a chuviscar, até que começou a trovejar e a relampejar fortemente e mal tivemos tempo de nos abrigar debaixo de um providencial lavadouro municipal, após Caldas de Reis. Aguardámos um bocado, enquanto vestíamos os impermeáveis e protegíamos os alforges, e quando a chuvada torrencial passou a chuva mais normal, tivemos de seguir mesmo assim, pois ainda nos faltavam quase 40 quilómetros e não queríamos fazer esperar demasiado a nossa boleia. A chuva acalmou e acabou por desaparecer, mas ainda nos acompanhou bem durante muitos quilómetros. Chegámos a Santiago já em cima da hora de fecho da Oficina do Peregrino, onde não poderíamos deixar de ir recolher as nossas Compostelas, que conquistáramos com muito suor. Quando saímos da Oficina já a Catedral tinha cerrado portas, com grande pena nossa. Dali saímos directos para a estação ferroviária de Santiago, onde iria ao nosso encontro o nosso “condutor de serviço”. Antes ainda fomos ocupar completamente as casas de banho da estação, com bicicletas e tudo, pois estávamos encharcados e precisávamos de mudar de roupa. A boleia entretanto chegou e após carregarmos o veículo seguimos mais uma vez para Ponte de Lima, onde mais uma vez nos esperava um petisco, preparatório da viagem para Lisboa, onde chegaríamos já madrugada dentro.  

Próximas viagens:

  – De 10 a 17 Junho: SuperTravessia GARMIN de Portugal em BTT (1000 kms, de Bragança a Sagres);

  – De 26 Agosto a 07/8 Setembro: Caminho do Norte a Santiago de Compostela em Bicicleta (870 km, de Hendaya a Santiago).

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